Melodia Infinita

"A que se desenvolve livremente, sem obediência a nenhuma forma preestabelecida"
(Novo Dicionario Aurélio)


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3.5.2004


Noite.
Findo o último compromisso, caminho para o ponto de ônibus ainda sob alguns pingos. Pessoas se abrigam em baixo de marquises, outras caminham apressadas aos esbarrões, tem os que buscam a proteção sob o guarda-chuva.
Respiro fundo, desisto do ônibus e desejo que ela chegue com toda sua força, que me acompanhe até por os pés em casa e ela, com sua força precisa, atende o meu pedido e vem. Ela vem... a chuva!
Como desejei que viesse inteira, já basta ter que lidar com vida aos pingos. Pois ela veio inteira e me abraçou. Diminuí os passos pra melhor desfrutar de sua companhia. Que delícia sentí-la descendo dos cabelos pra meu corpo, hoje tão cansado do vivido, tão impregnado ainda do que já devia ter ido. Agora sinto-a escorrer pelas costas, por entre os seios.
Chove também por dentro de mim.
Aos poucos a chuva se mistura com lágrimas que transbordam, se valendo de um momento de descuido das defesas, hoje tão em estado de alerta. Há quanto tempo não chorava assim, de desabafo.
Lembro de Martha Medeiros, dizendo que não importa a idade que se tem, tem sempre um momento em que a gente quer chamar um adulto...caminhei querendo que um adulto me segurasse pela mão e me mostrasse de novo o caminho, não de casa, mas de meus sonhos.
A roupa colando ao corpo e alguns homens que passando e diziam coisas inaudíveis, foi como se tivessem desligado o som do mundo e deixado apenas a imagem, podia ver as pessoas e a mímica de suas bocas, mas não ouvia o som de suas vozes, apenas ouvia a voz da chuva.
Em um certo trecho do caminho, fui tomada por uma vertigem que me fez parar para me dar conta de onde estava. Já estava perto de casa.
Diminui ainda mais o passo e resolvi que choraria proporcionalmente a intensidade da chuva e neste instante, a chuva ficou mais forte e cumprindo minha promessa, fui eu que desagüei o quanto pude. Por fim já não estava mais perdida, não estava triste e nem sozinha.
Estava aliviada, plena.
E de alma lavada.

Agora, estou pronta para o sol!

"Onde jamais viajei,
Felizmente além de qualquer experiência,
Seus olhos tem o seu próprio silêncio:
Ao seu mais delicado gesto existem coisas que me enclausuram,
ou que não posso tocar por estarem mais que perto.

Seu olhar mais displicente facilmente me despe
ainda que me feche como dedos,
você me desvela pétala por pétala,
como faz a primavera
(tocando com todo tato, misteriosamente)
à sua rosa

Ou se o seu desejo é me prender,
Eu e minha vida, de repente,
nos recolhemos em beleza
como quando o coração da flor percebe
a neve caindo cuidadosamente por todo canto;

Nada do que possamos ver neste mundo se iguala
ao poder de sua intensa fragilidade:
cuja textura me faz pensar na cor dos campos
afastando a morte e o sem fim a cada respirar

Eu não sei o que em você faz abrir e faz fechar
apenas alguma coisa me faz entender
que a voz dos seus olhos é mais profunda que todas as rosas
Ninguém, nem mesmo a chuva
tem mãos assim tão pequenas
".
(E.E. Cummings)




posted by Juli Mariano 20:49

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3.4.2004


Um dos filósofos gregos (não sei qual deles) disse: "O tempo é um pai que engole os próprios filhos". Não sei se lhe atribuiria esse grau de parentesco, mas sei que minha relação com a administração do tempo anda péssima e realmente tenho me sentido vorazmente engolida pelas filhas do tempo: as horas!
Acho que, acostumada a andar na corda bamba, a viver sobre pressão a não ter tempo para nada, agora num momento de trégua, me enrolo, não consigo estabelecer prioridades , pois tudo é tão urgente e ao mesmo tempo, tão passível de espera.
Meu pai dizia que se eu precisasse de um favor, que pedisse à pessoa mais ocupada, pois o desocupado nunca tem tempo. Ele estava certo! A vida tem desses mistérios né? Quanto mais se ama, mais se é capaz de amar, quanto mais ocupado, mas tempo a gente arranja pras coisas...
Quero de novo aquela loucura de antigamente? Não! Quero o equilíbrio. O tal do "caminho do meio".
Será que consigo?


posted by Juli Mariano 15:39

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3.2.2004


Sem inspiração para escrever...
Trocando a noite pelo dia...
Me cobrando prazos e definições...
Dificuldade de concentração...

Vou ali e já volto, tá?


posted by Juli Mariano 02:16

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