Domingo, dia das mães, praia de Camboinhas.
Eu, minha mãe, minha irmã, os sobrinhos Allyne de 19 e Allan de 11 anos. Banho de mar, bate papo gosto, peixe frito e o sobrinho querendo saber a toda hora "porque Deus criou as coisas". Nenhuma resposta lhe satisfazia. A avó apelava para os conceitos cristão "Deus nos criou para sermos bons" e ele retrucava: "Mas pra que ele nos criou pra sermos bons?". A mãe apelava para conceitos espíritas: "Deus nos criou para nos tornarmos cada vez melhores". E ele dizia: "sim, mas isso não responde, pra que ele nos criou pra nos tornarmos melhores?". Mãe e avó me lançavam olhares de súplicas,. implorando por minha "salvadora resposta". Apenas dignei-me a dizer: "Não sei a resposta de sua pergunta. Já me perguntei demais e não sei a resposta certa. E quer saber? Não faz mais, muita diferença pra mim. Faço o que acho que é certo e da melhor forma que posso".
Ele passou então a pedir: "me conta histórias?". Que tipo de histórias? - perguntei eu. E ele - ah, histórias dessas que trazem uma mensagem. Comecei a contar-lhe histórias sobre pessoas reais. Todos fomos esticando as cangas e deitamos ao lado uns dos outros. Eu terminava uma história e alguém pedia: conta outra! Num dado momento minha irmã pergunta:
- Então Allan, quer ir embora? De pronto ele responde, mirando o infinito:
- Ah, não, mãe! aqui tá tão bom!!! Nós precisamos prolongar ao máximo os bons momentos da vida....
(silêncio)
No fim da tarde, voltamos todos cantando alto no carro.